sábado, 15 de maio de 2021

Eu era Pastor quando quase me suicidei

 

Eu era pastor quando quase me suicidei. Eu tinha 28 anos, estava casado há cinco anos e era um pai orgulhoso de um pequeno bebê. Ninguém suspeitou que isso ia acontecer (geralmente, ninguém suspeita). Eu fui um estudante exemplar, nunca tratei os outros como estranhos e sempre me empenhei em fazer as pessoas ao meu redor se sentirem bem. 

Eu nasci pra ser pastor. Mas o que aconteceu, então?

“SE NÃO TEMOS UMA TEOLOGIA QUE ABRACE A DOENÇA MENTAL, NOSSO DEUS É DEMASIADO PEQUENO.” - WILLIAM PAUL YOUNG

Eu fui criado como um bom membro da igreja Batista, e depois me tornei um Pentecostal devoto. Eu já tinha vivido as consequências do suicídio da minha tia 15 anos antes, e tinha ouvido coisas que as pessoas da igreja resmungavam baixinho no funeral dela. Eu ouvi a resposta do pastor à pergunta da minha mãe: “Quando alguém se suicida, vai para o inferno?” Eu vi equipes tentando expulsar demônios quando a depressão foi mencionada em uma chamada no altar. E eu ouvi cristãos bem-intencionados dizerem a essas mesmas pessoas chamadas para apenas “escolherem a alegria”.

Quando eu estava na faculdade de teologia, eu lutei com a ideia de que existe um demônio atrás de cada árvore. Eu conheci muita gente sofrida e elas não pareciam estar endemoniadas. E se corações partidos (ou cérebros partidos) são indicações de possessão de demônios, isso não incluiria um número enorme de pessoas? Eu amava minha tia e eu tinha certeza de que ela não estava endemoniada. Ela estava doente, exausta e desorientada. Ela estava com muita dor, assim como estão com muita dor 44.193 pessoas na América que morrem de suicídio a cada ano (AFSP.org).

A verdade é que eu passei a entender exatamente como a minha tia se sentiu por tantos anos. Eu era um pastor e queria morrer. Todo mundo pensou que eu estava no topo do mundo. Na verdade, eu estava era muito envergonhado pra confessar que eu sentia que o mundo é que estava com todo seu peso sobre mim. No dia 21 de setembro de 2012, um dia anterior ao primeiro aniversário do meu filho, meus segredos foram revelados. Minha vida estava em perigo numa UTI. Quando fui estabilizado, me mandaram para a ala psiquiátrica, seguido de aconselhamento intenso e terapia, e me deram novos medicamentos. Durante a minha recuperação, a minha pergunta principal era “Será que vou ter um lugar na igreja novamente?”

Quando pedi demissão da pequena igreja Batista onde estava servindo quando tentei me suicidar, eu não sabia o que ia acontecer com o relacionamento que sempre tive com a igreja. Eu acreditava firmemente que a Igreja de Jesus Cristo era a esperança do mundo, mas será que também era a esperança para um pastor que se sentia um fracasso? Para onde vai a pessoa que não se sente suficientemente homem, marido ou cristão o suficiente e não tem mais onde descansar seus fardos?

Em minha atividade anterior no ministério, conheci um pastor de adoração que também viajava com uma banda. Ele era sociável e gentil, e eu acreditava que ele realmente gostava de mim. Ele também era metodista. Reuni coragem para ligar para esse conhecido que virou amigo e nos sentamos no Starbucks enquanto eu desnudava minha alma. Tudo o que estava acontecendo. A vergonha, a vergonha e os segredos profundos, feios, que apodreciam sob a superfície por quase 30 anos.

Ele me convidou a ir pra igreja. Pela primeira vez, não fui convidado pra pregar ou por causa do meu dom musical. Eu fui convidado para uma comunidade de pessoas que iam me amar, no meio da minha dor. Esse meu amigo, ecoou as palavras de Jesus para mim, que vem de Mateus 11:28-30:

“Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.”

Ele não me deu um sermão. Ele não pregou pra mim. Ele não me disse para escolher a alegria. Ele nem mesmo trouxe sua Bíblia para o café. O que Ben ofereceu naquele dia foi um presente de amizade: um lugar seguro para descansar minha cabeça. Ele me deu a oportunidade de contar minha história com pura honestidade e sem medo de rejeição.

A minha família passou boa parte daquele ano na igreja do Ben, descansando. Nós nunca fizemos parte da liderança. Nós não oferecemos grandes atos de serviço. Assim como aconteceu no passado com minha tia, nós estávamos exaustos, quebrados e nos sentindo desorientados. E o que encontramos foi segurança, gentileza e aceitação.

Historicamente, pessoas com doenças mentais não são compreendidas dentro das Igrejas. Mas nós podemos mudar isso. Nós não precisamos que você, como membro, aja como nosso psiquiatra; ao contrário, espere e incentive que nós procuremos e tenhamos um. Nós não precisamos que você tente nos consertar. Nós nem precisamos que você nos entenda, apesar de que nos sentiríamos muito bem se você tentasse. O que nós precisamos é que você sente-se conosco quando estivermos tristes ou com dor ou quando não tivermos o que dizer. É bom que nos digam que Jesus nos ama, mas o que seria melhor é nos mostrar amor e aceitação. Nos diga “venha como estiver” e seja sincero. Uma coisa que as pessoas com depressão precisam é de um amigo.

Você é o tipo de amigo que realmente tenta entender? Você está disposto a sentar com alguém em crise ou sofrendo, por conta de seu distúrbio, sem julgamento? É o que queremos.




Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada de um psicólogo ou psiquiatra.


Texto original: THE ONE THING DEPRESSED PEOPLE NEED by Steve Austin / https://medium.com/@rethinkchurch/the-one-thing-depressed-people-need-d810521e975d
Tradução livre e adaptada


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Um Ministro de Estado da Solidão

 


O Japão nomeou um Ministro da Solidão depois que os suicídios aumentaram pela primeira vez em 11 anos em meio à pandemia


O Japão nomeou um Ministro da Solidão este mês para lidar com o aumento das taxas de suicídio no país. 

Em 2020, as taxas de suicídio no Japão aumentaram pela primeira vez em 11 anos, especialmente entre as mulheres. 

Mais pessoas morreram por suicídio no Japão em outubro do que o número total de mortes por COVID-19 até agora em 2020. 

O Japão nomeou um Ministro da Solidão para tentar reduzir a solidão e o isolamento social entre seus residentes, já que o país enfrenta taxas crescentes de suicídio, relata Tomohiro Osaki para o Japan Times . 

O primeiro-ministro Yoshihide Suga no início deste mês nomeou Tetsushi Sakamoto, que já é o ministro encarregado de lidar com o declínio da taxa de natalidade no Japão e promover a revitalização regional, para supervisionar as políticas governamentais destinadas a lidar com a solidão e o isolamento. O primeiro-ministro Suga escolheu Sakamoto como seu ministro da revitalização econômica quando ele foi eleito em setembro de 2020.

 "As mulheres sofrem mais com o isolamento, e o número de suicídios está em uma tendência crescente “, disse Suga a Sakamoto em uma entrevista coletiva em 12 de fevereiro anunciando a nova posição, de acordo com o Japan Times . "Espero que identifique os problemas e promova medidas políticas de uma forma abrangente." 

A solidão há muito é um problema no Japão, frequentemente falada ao lado dos "hikikomori" ou pessoas que vivem em extremo isolamento social. As pessoas trabalharam para criar soluções poderosas para esse problema: os engenheiros japoneses desenvolveram um robô para segurar a mão de alguém quando se sentia solitário, e um homem cobra das pessoas por "nada fazerem", exceto fazer companhia.

 Um aumento de suicídios durante a pandemia 

Durante a pandemia de COVID-19 em 2020, com pessoas mais isoladas socialmente do que nunca, o Japão viu um aumento repentino de suicídios pela primeira vez em 11 anos. 

Em outubro, mais pessoas morreram por suicídio do que morreram de COVID-19 no Japão em todo o ano de 2020. Houve 2.153 mortes por suicídio naquele mês e 1.765 mortes totais pelo vírus no final de outubro de 2020 , de acordo com a Agência Nacional. da polícia do Japão . (Após um aumento de novos casos em dezembro, o Japão registrou 7.506 mortes totais por coronavírus em 22 de fevereiro. ) Estudos mostram que a solidão tem sido associada a um risco maior de problemas de saúde como doenças cardíacas, demência e distúrbios alimentares.

 As mulheres no Japão, em particular, contribuíram para o aumento dos suicídios. Em outubro, 879 mulheres morreram por suicídio no Japão, um aumento de 70% em relação ao mesmo mês de 2019. 

Cada vez mais mulheres solteiras vivem sozinhas no Japão, mas muitas delas não têm empregos estáveis , disse Michiko Ueda, uma professora japonesa que estuda suicídio no Japão, à BBC na semana passada . 

 “Muitas mulheres não são mais casadas”, diz Ueda. "Eles têm que sustentar suas próprias vidas e não têm empregos permanentes. Então, quando algo acontece, é claro, eles são afetados muito, muito duramente." 

O novo ministro da solidão do Japão diz que planeja realizar um fórum de emergência no final de fevereiro para ouvir as preocupações das pessoas que enfrentam a solidão e o isolamento.

 " Espero realizar atividades para prevenir a solidão e o isolamento social e para proteger os laços entre as pessoas", disse Sakamoto na entrevista coletiva de 12 de fevereiro.

 O Reino Unido foi o primeiro país a nomear um ministro da solidão em 2018, depois que um relatório de 2017 descobriu que mais de 9 milhões de pessoas no Reino Unido relataram sentir-se solitárias com frequência ou sempre. Mas a posição não parece ser particularmente desejada, já que o Reino Unido passou por três ministros da solidão em 3 anos. A Austrália considerou criar uma posição semelhante.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.


Texto original: https://www.businessinsider.es/japon-nombra-ministro-soledad-combatir-suicidio-816793?fbclid=IwAR3pgYk77LUqiv9b0W0FOiGsu2sYVQkRVCUb-HIq73s7gRB8jWkoWzQW32I


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Deixa eu te explicar uma coisa sobre Depressão

 


Eu conheci a mulher que viria a ser minha esposa alguns meses após ela ter feito uma tentativa de suicídio e ter passado alguns dias no hospital pra se recuperar. Pra fazer as suturas no corpo. Quanto as da alma... 

Seu diagnóstico, de acordo com o CID 10 era o que hoje se chama de Transtorno Depressivo Recorrente.

Nunca mais, em todos esses anos de casamento e da peregrinação por  psiquiatras, psicólogos, e da rotina de medicamentos, ela fez outra tentativa. Mas a vontade... Quem tem tendências ao suicídio sabe do que eu estou falando. Porque a vontade...

Eu estive ao lado dela em todos os seus episódios. Uma vez, no meio de uma das crises brabas de depressão, ela me disse que o que a impedia de se matar não era o amor que sentia por mim e por nossos filhos, amor que ela também sabia que temos por ela, mas o medo de que o inferno que pudesse encontrar do lado de lá fosse muito pior do que o do lado de cá. Eu sei bem que não era ela que dizia essas coisas, mas sim a Depressão: distorcendo cruelmente seus pensamentos, seus sentimentos e a sua vontade. 

 

Agora descobrimos que ela tem um câncer.

Não vou falar sobre o impacto que está causando pra ela, pra mim, pra família, pros amigos o que é ter uma pessoa amada sofrendo de câncer. Só quem tem ou tem alguém querido com essa doença pode saber do que eu tô falando.

Porém, eu a tenho observado. Em nenhum momento eu a vi dizer que quer morrer por causa do câncer. Não, ela que continuar vivendo!

As seguidas sessões de quimioterapia fizeram seus cabelos caírem e ela, apesar de continuar linda, está carequinha, está muito magra, o abdome dilatado. Mas ela que continuar viva!

Tem uma batalha longa e difícil pela frente a ser travada contra essa doença. Mas ela que continuar viva.

Ela quer continuar viva!


Então. Você está entendendo do que eu estou falando?

Entende aonde eu quero chegar?

Entende o quanto é séria e grave essa doença chamada DEPRESSÃO?

Verdadeiramente somos solidários, nos sensibilizamos, nos compadecemos e procuramos, no mínimo, enviar energias positivas para alguém diagnosticado com câncer. Eu venho observando as reações quando recebem a notícia do câncer da minha esposa.

Mas para alguém diagnosticado com Depressão a maioria diz ainda que é frescura, que é pra chamar a atenção, falta de Deus, falta de serviço, falta de força de vontade, falta...?

Entendeu?

domingo, 30 de agosto de 2020

Ore! Faz bem!

 


 Em primeiro lugar façamos uma distinção entre religião e espiritualidade. E a foto abaixo pode nos ajudar nesse esforço: 

Entenda que a oração não é propriedade de qualquer religião, mas uma prática que expressa um movimento interno, subjetivo de ligação do eu pessoal a uma condição mais ampla e profunda que podemos denominar de Transpessoalidade. Dessa forma, é sim possível vivenciar a oração quando você possui uma religião ou sem ter necessariamente ou seguir uma religião. Essa distinção conceitual permite observar o fenômeno da oração de uma forma mais precisa.

 E o que é essa Transpessoalidade? Para muitos, seguidores de uma religião organizada, ela é nomeada de diversos modos. Mas não é isso o que mais importa. Do ponto de vista do bem estar emocional e da saúde psicológica, o que verdadeiramente importa são os resultados dessa prática. 

E quais são os resultados dessa prática: orar? 

Vamos começar essa resposta fazendo uma analogia com os exercícios físicos. Hoje já está claramente evidenciado os benefícios de uma prática regular de exercícios físicos para a saúde mental. Exercícios, seja em contato com a natureza, andando ou correndo nas ruas ou em parques, ou frequentando academias, são formas eficazes de atenuar os efeitos de transtornos, por exemplo, como a depressão e a ansiedade. São inúmeros os estudos comprovando os efeitos positivos dos exercícios sobre a química cerebral e, consequentemente, sobre as emoções e a saúde mental. 

Então, os avanços realizados no campo das técnicas de captação de imagens cerebrais, pela Ressonância Magnética Funcional e Tomografias Computadorizadas com capacidades de análise do fluxo sanguíneo, estão permitindo visualizar e melhor compreender as alterações da atividade funcional e metabólica do cérebro e como o corpo físico responde prontamente aos comandos cerebrais ao ter ativado circuitos neuroquímicos e neuroimunológicos, no momento da oração.

Compreende? Uma cascata de reações bioquímicas é ativada a partir da prática da oração, desencadeando uma série de reações fisiológicas cerebrais e que, lá na ponta, vão proporcionar equilíbrio emocional e bem- estar. A prática da oração tem um impacto positivo na saúde mental e os correlatos neurobiológicos produzidos durante a oração indicam um papel benéfico.

 Portanto, em resumo, a partir das revisões de literatura sobre os benefícios da meditação e da oração, podemos, seguramente, dizer que a oração: 

• Diminui a tensão muscular.

• Melhora as funções neuroimunológicos e cardiovasculares.

• Gera tranquilidade emocional.

• Melhora o enfrentamento das doenças.

• Propicia a diminuição dos sintomas de transtornos psíquicos.

• Melhora o funcionamento orgânico.

 

Por isso e concluindo, ore, faz bem!

 

 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Se você toma remédios para transtornos mentais, não se sinta envergonhado ou fraco

 

Se você toma medicamentos psiquiátricos - ou deseja - estas palavras escritas por uma querida amiga minha, Mary Elizabeth, podem ajudá-lo: 

Sinto-me compelido a dizer isso. Se você toma remédios para transtornos mentais para ajudá-lo a permanecer vivo, ou tão importante quanto, para passar da sobrevivência à uma vida ativa de realizações, não se sinta envergonhado ou fraco.

Você não escolheu ter um transtorno mental mais do que alguém escolhe ter epilepsia, por exemplo. Não pare de tomar seus remédios só porque ouviu dizer que uma grande indústria farmacêutica tem uma conspiração para medicar todo mundo. 

Se seus remédios o ajudarem, tome-os. 

Se você piorar por não tomá-los, tome-os. 

Se você é uma pessoa religiosa, tomar remédios não se contrapõe a uma fé que afirma que Deus pode te ajudar, e ter uma fé também não se contrapõe a tomar remédios. São ferramentas para serem usadas em conjunto, uma não elimina a outra. Assim como comer bem e fazer exercícios.

 Os remédios por si só às vezes não são suficientes para me manter bem. Na maioria das vezes, meus remédios agem como uma escada para que eu possa acessar outras ferramentas, que uso em conjunto com a medicação.

 A medicação não é ruim. Atitudes como essa perpetuam o preconceito relacionado com a doença mental. Aqueles que têm transtornos mentais geralmente aceitam o preconceito tanto quanto aqueles que não têm.

 Pare com isso.

 Pare de se envergonhar.

 Pare de envergonhar os outros.

 A medicação não é algo de que se envergonhar.

E só porque você se sente melhor com os remédios, não significa que está pronto para abandoná-los. O oposto é verdadeiro. Você se sente melhor porque está tomando-os.

Eu entendo o desejo de tomar o mínimo de remédio necessário para ficar bem, mas isso não significa que nenhum remédio seja a resposta. Eu não posso te dizer quantas vezes eu já percorri esse caminho, querendo sair dos remédios porque eu não queria precisar deles. Mas com a idade vem a sabedoria.

Eu escolho sofrer o mínimo possível nesta vida. Eu escolho prosperar nesta vida. Se isso requer medicação para tratar uma condição que não escolhi ter, agradeço todos os dias por viver em uma época e um lugar onde existem tratamentos sólidos que funcionam.

Este texto foi devido a um querido amigo que sentiu que não precisava de medicação para sua psicose e quase o perdemos ontem. 

Se não tomar remédios te deixa menos seguro, menos feliz, menos realizado, então tome seus remédios.



 


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada de um psicólogo ou psiquiatra.




Tradução livre e adaptada


sábado, 15 de agosto de 2020

Um quarto de jovens adultos pensou em suicídio durante a pandemia

 


Mais da metade dos entrevistados que se identificaram como trabalhadores essenciais relataram algum tipo de condição de saúde mental ou comportamental adversa relacionada à emergência da Covid-19.

 Um em cada quatro jovens adultos com idades entre 18 e 24 anos diz que considerou o suicídio no mês passado por causa da pandemia, de acordo com novos dados do CDC,  que pintam um quadro sombrio da saúde mental do país durante a crise.

 Os dados também indicam uma onda de ansiedade e abuso de substâncias, com mais de 40 por cento dos entrevistados dizendo que experimentaram um problema de saúde mental ou comportamental relacionado à emergência Covid-19. O estudo é do CDC ( CENTERS FOR DISEASE CONTROL) que analisou 5.412 respondentes da pesquisa entre 24 e 30 de junho.

 Esse problema está recaindo mais pesadamente sobre os jovens adultos, cuidadores, trabalhadores essenciais e minorias. Enquanto 10,7% dos entrevistados em geral relataram considerar o suicídio nos 30 dias anteriores, 25,5% das pessoas entre 18 e 24 anos relataram fazê-lo. Quase 31 por cento dos cuidadores não remunerados autodeclarados e 22 por cento dos trabalhadores essenciais também disseram que nutriram tais pensamentos. Os entrevistados hispânicos e negros também estavam bem acima da média.

Cerca de 30,9 por cento dos entrevistados disseram ter sintomas de ansiedade ou depressão. Cerca de 26,3 entrevistados relataram trauma e transtorno relacionado ao estresse por causa da pandemia.

 Outros 13,3 por cento dos entrevistados disseram que recorreram ao uso de substâncias, incluindo álcool e medicamentos prescritos ou ilícitos, para lidar com o estresse da pandemia.

 Mais da metade dos entrevistados que se identificaram como trabalhadores essenciais relataram algum tipo de condição de saúde mental ou comportamental adversa relacionada à emergência da Covid-19.

 Os estados e o governo federal têm alguns dados que mostram um aumento nas mortes por overdose de drogas nos primeiros meses do ano, em meio a bloqueios, incertezas econômicas e estresse adicional causado pela pandemia.

 O que vem a seguir: os pesquisadores, no estudo, recomendaram que qualquer intervenção em nível comunitário e esforços de prevenção incluam o fortalecimento dos apoios econômicos para reduzir o estresse financeiro e lidar com as disparidades raciais nos cuidados de saúde. Eles também sugerem expandir o acesso a apoios sociais, tratamentos abrangentes e serviços de redução de danos.

 


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.


 Texto original: CDC: One quarter of young adults contemplated suicide during pandemic /   By BRIANNA EHLEY: https://www.politico.com/news/2020/08/13/cdc-mental-health-pandemic-394832?fbclid=IwAR21CpUe0enV3NgtuDx6QOjlN3s47kLiJ_Ejky4yfqZXJARt01E8Fr3EOOc

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Por que os suicídios estão diminuindo durante a pandemia de coronavírus?



Um quarto da população mundial permanece em casa devido a uma pandemia causada por um coronavírus, que já causou mais de 150.000 mortes em três meses. Um drama de dimensões que a humanidade não enfrentava há décadas. A magnitude do problema é tal que muitos dos nossos problemas anteriores tornaram-se menores e sem importância. E isso, que ocorre no nível social, também ocorre no nível individual e, segundo especialistas, tem impacto direto nos suicídios: os suicídios diminuíram.
Javier Jiménez, psicólogo clínico da Associação de Pesquisa, Prevenção e Intervenção do Suicídio (na Espanha) garante que todos os psicólogos e especialistas em urgências, emergências e catástrofes estão convencidos de que os suicídios diminuíram nesses três meses, embora também reconheçam que, assim que essa situação acabar, eles vão subir novamente. Segundo esse especialista - com as informações que ele gerencia dos institutos de medicina legal que consulta e as informações de sua organização - os casos registrados apontam sim para uma diminuição:
 “Na Associação, toda semana temos três, quatro ou cinco casos de pessoas que nos comunicam da Espanha ou mesmo do exterior, nos dizendo que alguém próximo cometeu suicídio ou tentou. Agora temos uma ou nenhuma ligação por semana, nem de ideação suicida [pensamentos suicidas], nem de intenção, nem de suicídio consumado”.
Embora esses dados se refiram à sua experiência e à de seus colegas, ainda não se tem pesquisas evidenciando esse fenômeno. Para falar sobre os dados completos sobre suicídio durante esse período de pandemia, será preciso esperar anos para que o INE os publique.
Esse psicólogo que monitora os suicídios que ocorrem no mundo garante que, em relação direta com coronavírus, houve 8 em todo o mundo. Dois deles na Espanha, duas pessoas que cometeram suicídio em hospitais quando diagnosticadas com coronavírus. "Para essas pessoas, provavelmente, foi a gota que encheu o copo, porque não conhecemos a situação anterior delas, então não podemos fazer uma relação de causa e efeito. O coronavírus seria mais um fator nesses suicídios, não a causa determinante.”
EFEITO DE GUERRA
E qual a explicação, ainda que provisória, para esse diminuição de suicídios? "Agora que estamos comparando essa situação a uma guerra, é exatamente isso que acontece durante um período de guerra: os suicídios diminuem significativamente", explica o psicólogo. O motivo é que as prioridades da vida mudam: “Quem realmente se importa agora se você comprou o iPhone mais recente ou os sapatos de uma marca famosa? Agora, o importante são álcool gel, máscaras, comida...  e ninguém está louco pra sair de casa e comprar o último modelo de iPhone”.
É claro que as causas são bem mais complexas, porém "alguns problemas de pessoas que não sabem muito bem por que alimentavam tantos conflitos, quando são confrontadas com uma ameaça concreta muito maior, percebem que o que estava acontecendo com elas não era assim tão sério. Assim, essa situação pode até favorecer mudanças positivas pra algumas pessoas."
Entretanto, como nas guerras, o medo dos especialistas está no que vem a seguir, com o fim do confinamento.
PROBLEMAS FAMILIARES
Mais graves, nesse momento, têm se mostrado os problemas familiares. José Luis Perrinó, presidente do Telefone da Esperança de Madri (Tlf.717100371), garante que, em seu serviço, as ligações relacionadas a problemas de solidão aumentaram, mas eles também não perceberam um aumento nas ligações de pessoas com pensamentos suicidas. “Tivemos um aumento de 20% no número de ligações e, nesse momento, prevalecem as questões relacionadas à solidão, a ansiedade sobre o confinamento e os problemas entre casais e filhos”, explica ele.
Jiménez lembra que depois das férias é a época do ano em que ocorrem mais divórcios, após uma convivência mais próxima. "Mas o que está acontecendo nesse período de confinamento é mais intenso, é um teste decisivo para casais.  Essa experiência não é como férias, agora você está preso em casa, fazendo comida, não em um hotel com restaurante, com problemas no trabalho e sem poder escapar " A experiência chinesa de confinamento parece dar razão a esse psicólogo, já que em Wuhan os pedidos de divórcio explodiram após meses de confinamento.
Quando o confinamento terminar é quando tudo vai explodir ", diz o psicólogo.

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 Texto livremente traduzido e adaptado