sábado, 16 de julho de 2016

Silenciar sobre o suicídio é o que mata

Óleo sobre tela: Silêncio / Fabiano Millani
 Uma amiga chegou esta manhã para me pedir um conselho. Um querido amiga dela havia morrido por suicídio.
"O que você diz quando alguém tira a sua própria vida?" Perguntou ela.
Poderia ter sido eu.
Minha amiga e eu conversamos brevemente sobre seu amigo. Eu nunca o tinha encontrado; eu não o conhecia. Mas, ao mesmo tempo em que eu a ouvia  falando sobre o suicídio dele, eu senti como se o conhecesse muito bem. Pude sentir o que se passou com ele no exato minuto em que tirou a própria vida. Eu me conectei à ele de uma maneira muito profunda.
Ficamos conectados porque eu conheço bem os demônios que ele carregava.  Eu acredito que os meus são os mesmos. Eu posso imaginar o que ele poderia ter sentido: como é você estar em um corpo que é ocupado por outra pessoa. Como é você estar se afogando. Como se você estivesse engolindo água quando todos à sua volta estão respirando ar puro. Eu tenho visto o mundo através da mesma névoa negra e atravessado a mesma areia movediça pegajosa. Eu sei. Eu estive lá.
Eu costumava pensar que a dor me fez uma pessoa isolada. Que a dor emocional profunda que eu tenho experimentado me fez diferente de você, me tornou inferior à você. Eu escondi a minha dor, porque eu tinha medo que você venha a pensar que eu sou fraca. Eu estava com medo de que minha escuridão tenha feito de mim uma pessoa feia. Eu estava com medo de que se as pessoas soubessem o tipo de pensamentos que tenho, os pensamentos que me diziam que eu não valia nada e não merecia viver, elas me tratariam realmente como se eu não merecesse viver.
Eu não falei com ninguém sobre minha dor até que foi quase tarde demais. Eu não contei a ninguém que eu queria morrer até que eu quase me matei. Mas depois que eu acordei e depois de, com muito esforço, tomar em minhas mãos a minha própria vida, a esperança nasceu. 
A esperança escancarou a porta para eu falar abertamente sobre a minha dor. E quando eu comecei a falar, comecei a ver que havia dores semelhantes em muitas outras pessoas. Meus olhos já não estavam cegos pelo medo. Eu agora enxergava outras pessoas que se sentiam com eu, conectando-nos da maneira mais profunda.
Nunca foi a dor que me isolou, mas o meu medo. O medo de não ser compreendida, o medo de ser diminuída, o medo do preconceito. Uma vez que a esperança entrou e me devolveu a vontade de viver, o medo soltou suas garras. E quando eu comecei a deixar de lado o medo, comecei a ver a beleza que vive debaixo da dor.
Minha escuridão já não me isola. Meus sentimentos de inutilidade e vergonha, meus pensamentos de que não tenho nenhum valor, os pensamentos que me dizem que eu não mereço viver, que o mundo seria um lugar melhor sem mim, não me fazem mais me sentir sozinha. Eles não me isolam porque eu os compartilho. E falo sobre eles. Eu os utilizo para construir uma ponte entre mim e outras pessoas que se sentem e pensam da mesma maneira. Nossa escuridão nos permite que entremos em comunhão, e essa ligação acende uma luz dentro de nós que nos livra da escuridão.
E sempre que alguém morre de uma maneira tão trágica, isso soa para mim como um grande lembrete de por que eu preciso continuar a falar sobre o suicídio e compartilhar a minha dor.
Alguns perguntam se eu não tenho medo de falar abertamente sobre as minhas últimas lutas e, as vezes presentes, intenções suicidas. "Você não está com medo do que as pessoas pensam? Você não está com medo de como as pessoas vão te julgar? "
Não. Eu não estou com medo de falar sobre o suicídio. Estou com medo de ficar calada. O silêncio é o que alimenta a minha depressão. O silêncio se transforma em pensamentos e em obsessões e obsessões podem levar a ações. O silêncio é a arma mais mortal de todas. O silêncio mata. Eu sei que o meu silêncio iria me matar, e eu não quero morrer.
Eu falo sobre isso para outras pessoas que estão com medo de falar abertamente sobre suas intenções suicidas para que elas saibam que não estão sozinhas. Nós nunca estamos sozinhos, acredite. Vou repetir: nós nunca estamos sozinhos, apesar de quão solitário que nos sentimos.
Minha dor não me faz diferente de você. Ele não me faz menos do que você. Minha escuridão não é feia e maldita. É uma bela ponte que me liga a você. E se conectar através da dor é a mais poderosa e transformadora conexão que já experimentei.   
Siga nessa jornada com sentimentos e fé.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada.


Texto original: Why I'm Too Scared to Stay Silent About Suicide  By Christine Suhan
Tradução livre e adaptada





sexta-feira, 8 de julho de 2016

Elegia ao amigo suicida


Através do suicídio, pretende-se dar uma solução definitiva a sofrimentos e situações que são temporários. Equívoco que a poesia, capaz de ver beleza onde essa menos se encontra também compreende, uma vez “que a morte não é como a vida, que se podem dar chances e mais chances seguidas...”




Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141 e procure ajuda especializada.


O Suicídio no filme "Como Eu Era Antes de Você"

 

Embora o filme tenha recebido muita atenção, eu senti a necessidade de abordar o assunto tema do filme que, a meus olhos é bem mais complexo do que as pessoas perceberam. Eu também estava preocupada com a mensagem por trás do filme.
Em resumo, um dos personagens principais, tetraplégico, em última instância, decide acabar com sua vida, em vez de escolher viver com sua deficiência. A heroína implora para ele não se matar e promete mudar sua maneira de pensar. Ele não muda. Ela sucumbe ao aparentemente inevitável.
Muitos entenderam o filme apenas como outra história de amor como todas as outras. Alguns diriam que termina de uma maneira poética e satisfatória, mesmo que não tivessem sido "felizes para sempre". Uma história de amor para as pessoas desfrutarem sem grandes preocupações.
Discordo. Essencialmente o que o filme diz é que a vida não vale a pena ser vivida se você tem uma deficiência grave. E, o que é mais sério, não são as pessoas com necessidades especiais que lutam contra essa forma de pensar. Isso é o que torna o filme tão assustador. Ele retrata um estereótipo que é muito real.
Uma imagem é pintada nesse filme: viver com uma deficiência é um fardo demasiado pesado para um indivíduo que a possui e para todas as pessoas ao seu redor. Mesmo para aqueles que se comprometem a amar incondicionalmente e são vistas como criaturas “elevadas”, pessoas consideradas especiais e mais bem equipadas em "lidar" com os desafios de amar alguém com uma doença ou deficiência.
Eu acho que essa mensagem é o que me incomodou. É uma história que diz que o amor não pode suportar qualquer coisa, e mesmo quando parece que pode, não o pode porque viver com uma deficiência é muito difícil para todos os envolvidos.
É verdade - nem todos os que têm uma deficiência consideram que sua vida está terminada. Nem todo mundo se sente negativamente sobre as circunstâncias mais difíceis e limitadoras de suas vidas. Na verdade, há um grande número de vozes, o meu incluído, que dizem que a vida com uma deficiência pode sim ser plena e maravilhosa. E mais, com deficiência ou não, todo nós nos perguntamos se alguém sempre vai nos amar, verdadeiramente, somente pela pessoa que somos. A diferença é que quando esta pergunta é colocada no contexto da deficiência, ela não é negada tão rapidamente.
É muitas vezes ignorado e as pessoas não entendem o quão significativo esses preconceitos podem ser, ou como a sociedade alimenta esses estereótipos na forma como a deficiência é falada e percebida.
Muitas pessoas com necessidades especiais já se perguntaram em um ponto ou outro, se suas vidas são muito difíceis para que uma outra pessoa reconhecer seu valor e amá-las como uma pessoa real - não por obrigação ou piedade, mas por sentirem por elas um amor genuíno. Os fatos do mundo em torno de nós gritam que esses pensamentos de inutilidade e que, possivelmente, nunca serão amados são justificados. O medo não é infundado.
As pesquisas têm mostrado que ter uma deficiência leva muitas vezes a pessoa a ser excluída na sociedade.
As crianças com necessidades especiais têm uma maior probabilidade de sofrer bulling.
A taxa de divórcio para famílias com necessidades especiais é de até 90% e mais de 75% quando um dos cônjuges tem uma doença crônica.
As pessoas com deficiência são consideravelmente menos propensas a se casar.
A eutanásia ou o suicídio assistido foi legalizado em vários países e em alguns estados dentro dos EUA; algumas pessoas acreditam que poderia ser, e tem sido, utilizado de forma antiética contra as pessoas com deficiência.
A taxa de suicídio entre as pessoas com certos tipos de deficiência é significativamente maior do que para a população em geral.
Aqueles que fazem tentativas de suicídio são mais propensos a fazê-lo por causa das mensagens sociais negativas recebidas da sociedade sobre ser portador de uma necessidade especial.
Filmes como " Como Eu Era Antes de Você” passam uma mensagem de que todo mundo estará melhor se as pessoas que têm uma deficiência decidem não viver. Will, o personagem principal, tetraplégico, justifica esta constatação dizendo para Louisa, a mulher que ele ama: "Eu não te quero presa a mim, para os meus compromissos hospitalares, para as restrições da minha vida. Eu não quero que você perca todas as coisas que um outro alguém poderia dar-lhe. E, de forma egoísta, eu não quero que você olhe para mim um dia e, por estar ao meu lado, venha a sentir, ainda que seja, nem um pouquinho de remorso ou piedade ... "
Se o autor percebeu ou não, ela mostrou uma verdade assustadora. Esta declaração não está longe dos pensamentos das pessoas na vida real, e são exatamente esses pensamentos que induzem sentimentos em algumas pessoas com necessidades especiais para não mais desejarem viver.
Terminar uma vida é retratada no filme como uma escolha heroica; uma oportunidade para libertar alguém do fardo de si mesmo enquanto estiver no controle de sua vida. Mas o que acontece quando aqueles que afetados por uma doença grave assistem essa escolha? Ela é percebida como uma confirmação do medo de que eles, por sua deficiência, não são queridos. O heroísmo do personagem é uma mentira cuidadosamente velada, validando sentimentos de inutilidade por aqueles com uma deficiência e aludindo à possibilidade de que esta é a forma como o resto do mundo pensa.
Portanto, esta história não só contribui para o estigma em nossa cultura, hoje, contra as pessoas com deficiência, mas pode também levar uma pessoa com necessidades especiais graves a considerar que sua vida terminou. Esta história teve uma oportunidade poderosa para mudar o debate sobre a deficiência. Em vez disso, ela contribui para o problema. É perigoso para a nossa cultura promover algo que indica que terminar uma vida é uma opção viável quando uma pessoa se sente como se não fosse mais digna de amor.
Acredite, algumas pessoas se sentem dessa forma. E é por isso que precisamos conversar sobre isso. É por isso que temos de fazer alguma coisa. É por isso que temos de trabalhar para mudar o debate que tem e deve ter lugar dentro da sociedade sobre as questões da deficiência e como é viver com uma deficiência.
É por isso que precisamos permanecer dizendo: sua vida é importante. Você é amado. Sua presença é significativa.


Texto original: When Someone Told Me I Was Wrong About Suicide and Disability By  MaryLynn Johnson.
http://themighty.com/2016/07/talking-about-suicide-and-disability/
Texto livremente traduzido e adaptado a nossa realidade.

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda telefone para o CVV: 141 e procure ajuda especializada

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Promete que nunca vai embora?


Sua vida não é só sua. Minha vida não é só minha. Por meio de minha vida dou sentido à vida de outros. Se acabo com minha vida provoco uma ruptura nessa rede de relações em que minha existência ganha o seu significado e em que a existência do outro ganha significado através da minha vida... Portanto, NÃO VÁ EMBORA!

Suicídio Infantil - Atenção Para Os Sinais


Pintura "Meninos soltando pipa", 1941, Cândido Portinari


Visto ainda como um tabu, o suicídio infantil é um tema delicado e que muitas vezes é difícil de ser diagnosticado. Apenas estudado a nível internacional, a incidência de suicídio infantil parece, no entanto, estar aumentado nos últimos anos.


 Definição
                                                                   
Uma criança ou adolescente suicida é um menor que planeja ou faz tentativas de acabar com sua própria vida.
O termo "suicídio infantil" significa o ato pelo qual uma criança provoca a sua própria morte de maneira voluntária. Na maioria dos casos, isso não significa simplesmente um desejo de morrer, mas acontece como o último recurso para escapar de um grande sofrimento ou de uma situação para a qual a criança não encontra saída.
A tentativa de suicídio é definida como um ato – que não teve êxito –através do qual a criança expressa um desejo de prejudicar-se, colocando-se em perigo e com a intenção real de provocar a sua própria morte.
Tentativas de suicídio nem sempre são tentativas que falham. Muitas são consideradas como uma tentativa desesperada de chamar a atenção para os problemas ou sentimentos de abuso e violência que a criança está vivenciando.

Os dados globais sobre o suicídio infantil
O suicídio infantil é um assunto tabu na maioria dos países. Ainda que esse problema entre adolescentes esteja sendo cada vez mais investigado, existem poucos estudos científicos sobre o suicídio em crianças mais jovens (com menos de 13 anos), e não há dados sobre a incidência deste fenômeno a nível internacional. No entanto, sabe-se que as razões que levam as crianças a cometer suicídio são muito diferentes daqueles que motivam os adultos.


O suicídio infantil às vezes é difícil de diagnosticar porque as crianças têm mais dificuldade do que os adultos para expressar seus conflitos ou infelicidade. O suicídio de crianças também é confundido ou pensado, quase sempre, como um acidente: muitas vezes atribuído ao imprevisto de cair ao se debruçar em uma janela ou atravessar uma rua na hora errada, e ser atropelado, por exemplo. Também a morte de crianças órfãs e / ou de crianças que moram nas ruas muitas vezes não são investigadas ou mesmo registadas pelas autoridades em alguns países, o que torna difícil para se obter estatísticas ou realizar estudos.
De acordo com algumas das poucas pesquisas existentes – a maioria realizadas em países industrializados – a maioria das crianças que se suicidam são geralmente do sexo masculino, enquanto a maioria das tentativas de suicídio são feitas por meninas.
Um estudo norte-americano revela que o suicídio é a quarta principal causa de mortalidade entre crianças de 10 a 14 anos, e a terceira em crianças com mais de 15. Inclusive há o relato mesmo do suicídio de uma criança de 7 anos. De acordo com dois estudos suíços realizados em 2004, feito com crianças entre 11 e 15 anos e adolescentes entre 16 e 20 anos, aproximadamente 8% das meninas e 3% dos meninos admitiram terem feito uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez sua vida.
Na maioria destes estudos observou-se uma tendência crescente de suicídio infantil e um aumento no comportamento de risco que anteriormente só era atribuída a adolescentes.

Causas de suicídio em crianças e adolescentes


O fim da Infância e início da adolescência muitas vezes são períodos difíceis e que apresentam muitos desafios, tais como alterações hormonais, maiores responsabilidades escolares, a necessidade de trabalhar ou relações pessoais problemáticas, entre outros, que podem levar a criança a desenvolver pensamentos negativos. 
No entanto, falar de um único fator precipitante seria incorreto. Embora um evento significativo, como a perda de um ente querido, divórcio dos pais, mudanças, abusos, etc., possam empurrar uma criança a cometer suicídio, estes fatores devem ser vistos, muitas vezes, como o que fazem transbordar o que já estava lotado. Dessa forma, então, é preferível falar de múltiplas causas e circunstâncias agravantes.
Fatores pessoais
O mais frequentemente mencionados são fatores psicológicos (depressão, ansiedade, de personalidade antissocial, ...) e comportamentais (agressão, abuso de álcool ou drogas).
Fatores familiares


 O ambiente familiar também desempenha um papel importante se ele não é capaz de proporcionar à criança uma atmosfera suficientemente segura durante todo o seu crescimento. Abandono, negligência, abusos, perda de parâmetros culturais (como no caso de uma mudança forçada) e a falta de projetos futuros podem encorajar tendências suicidas. Em geral, o isolamento social ou emocional é uma das principais causas de suicídio.
Outros fatores
Também devem ser considerados outros fatores que ocorrem algumas vezes ou que são específicos para um determinado país, como cyber-dependência (vício em jogos de vídeo ou internet), o bulling na escola ou violência devido à orientação sexual ou por pertencer a uma minoria.
Por exemplo, no Japão, onde as autoridades não conseguiram controlar este fenómeno, o abuso e bulling escolar foram responsáveis ​​por 14 dos 40 suicídios que foram relatados entre 1999 e 2005.
O caso das minorias
A taxa de suicídio entre os jovens em comunidades indígenas no Brasil, e aborígenes na Austrália, por exemplo, é quatro vezes mais elevada do que a taxa nacional de suicídio nesses países devido à violência física e psicológica, bem como à discriminação social.
  
Prevenção do suicídio infantil
Detectar atitudes suicidas
Detectar e compreender os sinais antes que os filhos levem a cabo seus impulsos é importante na hora de tomar as medidas necessárias para prevenir o suicídio. Os pais e outras pessoas próximas à criança, como os professores, devem prestar atenção ao seu comportamento e suas atividades para que possíveis sinais sugestivos de depressão ou pensamentos suicidas não passem despercebidos.

A seguir, uma lista de sintomas ou sinais que podem ser bastante preocupantes, especialmente se vários deles se manifestem ao mesmo tempo:
- Distúrbios do sono (dormir demais ou muito pouco)
- Perda de apetite e / ou peso
- Isolamento da família e dos amigos
- Perda de interesse em atividades favoritas
- O absentismo: faltas e atrasos constantes na escola
- Agressividade física ou psicológica
- Abuso de álcool ou drogas
- A falta de preocupação com a aparência e higiene
- Correr riscos desnecessários
- Interesse por assuntos sobre morte ou suicídio
- O envio de mensagens preocupantes pela internet
- Notas baixas ou problemas escolares incomuns
- Dificuldade de concentração
- Pensamentos negativos e de baixa autoestima a respeito das qualidades próprias e realizações

 Passos a seguir
O mais importante é a atenção dos membros da família e do pessoal da escola, que devem apoiar a criança e não ignorar ou desacreditar seus sentimentos e problemas, especialmente se a criança está passando por um período estressante ou mudanças profundas em sua vida. Esforços devem ser feitos para eliminar progressivamente pensamentos suicidas ou comportamentos destrutivos.
O pessoal da educação (professores, orientadores escolares, psicólogos escolares, etc.) deveriam ser treinados para detectar sinais de alerta e responder prontamente a esses sinais. Os pais que suspeitam que seu filho tenha pensamentos suicidas devem imediatamente procurar ajuda especializada, levando sua suspeita aos próprios membros da escola ou a um psicólogo e psiquiatra.
Reforçamos. Se os sintomas indicam uma situação séria, é importante que a criança seja encaminhada a uma consulta com um psicólogo ou um psiquiatra para determinar se é portadora de transtornos mentais ou comportamentais. Isso deve levar a um tratamento adequado: tratamento psicológico e psiquiátrico, medicamentos de prescrição e, se necessário, a hospitalização.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141 e procure ajuda especializada.



Texto original: Suicidio infantil: un fenómeno complejo y difícil de explicar

http://www.humanium.org/es/suicidio-infantil/

comprometida a acabar con las violaciones de los Derechos del Niño en el mundo

 Texto livremente traduzido e adaptado.






quinta-feira, 23 de junho de 2016

Como Parar de Pensar em Suicídio


Quando o desespero, isolamento e dor parecem muito grandes para suportar, o suicídio pode parecer a única forma de se libertar. Pode ser difícil de ver, mas há opções para lhe trazer alívio e mantê-lo vivo para voltar a sentir alegria, amor e liberdade novamente. Ao manter-se seguro e criando um plano para enfrentar e explorar as razões por que isso está acontecendo, você pode tomar medidas para se sentir melhor. Continue lendo este artigo para parar de pensar em suicídio.

Método 1: Mantenha-se em Segurança
1.  Dê tempo para si mesmo. Faça uma promessa a si mesmo que você não irá cometer suicídio por pelo menos 48 horas. Por mais difícil que possa parecer, adie seus planos por 2 dias para poder descansar e pensar sobre as coisas. Nesse momento o suicídio pode parecer a única opção, mas as circunstâncias podem mudar rapidamente. Você pode encontrar mais alguma coisa que possa lhe trazer alívio durante esses 2 dias.
·         Tente ver suas emoções e ações de formas separadas. A dor pode ser tão grande que distorce seus pensamentos e comportamento. Mas pensar em suicídio não é a mesma coisa que realmente fazê-lo. Você ainda tem o poder de fazer uma escolha contra o suicídio.
·         Talvez não consiga ver as coisas de outra forma, mas você pode prever o que acontecerá amanhã. Deve ter outras opções que você não consegue ver claramente por causa da dor que está sentindo. Amanhã sua mente poderá estar um pouco mais leve e você talvez possa ser capaz de encontrar uma boa razão para viver.
·         Pensamentos suicidas são muitas vezes causados por situações que podem mudar. Não importa o quão preso possa estar se sentindo, ou o quão impossível às coisas pareçam, as circunstâncias não serão assim para sempre. O suicídio é uma solução permanente para um problema temporário e nas próximas 48 horas a melhor opção pode aparecer.
2. Deixe sua casa segura. Não faça com que seja fácil mudar de ideia. Guarde qualquer coisa que você possa usar para prejudicar a si mesmo, como pílulas, lâminas de barbear, facas e armas de fogo. Dê essas coisas para alguém guardar, jogue-as fora ou coloque-as em um lugar que não seja de fácil acesso.
·         Também deixe de lado o álcool e as drogas. Os produtos químicos das drogas e do álcool afetam o cérebro, fazendo com que seja mais difícil pensar claramente. Não os use, para permitir que sua mente tenha tempo para descansar e você pensar com mais clareza.
·         Se você não acha que está seguro em sua própria casa, vá para algum lugar onde se sinta seguro. Fique na casa de um amigo, vá para a casa de seus pais, a um centro comunitário ou outro lugar público onde possa ficar.
3. Não tente lidar com isso sozinho. Uma das melhores maneiras de aliviar um pouco do estresse e da dor que se acumulou dentro de você é se abrindo com alguém. Chame alguém de confiança e fale durante o tempo que precisar. Se quiser, peça a essa pessoa para vir ficar com você até que esteja preparado para ficar sozinho novamente. Fale o quanto quiser sobre como está se sentindo, não tente guardar nada. Você também pode procurar por sites especializados que podem lhe ajudar. Aqui estão algumas opções:
·         Ligue para o telefone do CVV: 141
·         Considere procurar por um psicólogo ou um psiquiatra
4. Obtenha ajuda de emergência caso queira ir até o fim. Se conversar e dar um tempo a si mesmo não funcionar e você ainda estiver pensando em cometer suicídio, consiga ajuda de emergência imediatamente. Peça a alguém para levá-lo ao hospital ou vá sozinho. Você receberá tratamento e ficará em um lugar seguro até não poder prejudicar a si mesmo.
    • Se já tiver tomado algo, ligue ou peça para alguém ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU (pronto-socorro) - 192 imediatamente ou para o Corpo de Bombeiros - 193. Peça para vir ajudá-lo. Não se sinta envergonhado de fazer isso, pois sua vida está em perigo e você precisa de ajuda.
5. Perceba que as pessoas passam por isso. Quando estiver passando por uma crise e você não conseguir parar de pensar em suicídio, lembre-se que você nem sempre se sentiu assim e não se sentirá assim para sempre. Muitas pessoas já se sentiram tão mal quanto você e viveram para contar a história. Muitas pessoas já tiveram pensamentos suicidas e encontraram maneiras de lidar com elas. Você pode conseguir isso também.

Método 2: Encontre Maneiras de Lidar Com Isso
1. Não se critique por ter pensamentos suicidas. A culpa por ter esses pensamentos não é sua. Não há nada para se envergonhar ou se sentir culpado, e isso não faz de você uma pessoa ruim ou fraca. Você provavelmente está carregando um fardo muito maior do que a maioria das pessoas está carregando e, para que possa se sentir melhor, você precisa ser gentil consigo mesmo. Se culpar e sentir vergonha são sentimentos negativos que complicam ainda mais a situação fazendo com que seja muito mais difícil de encontrar uma maneira segura de se livrar deles.
·         Tente pensar em si mesmo como outra pessoa, alguém que você ama. Se alguém muito querido estivesse com pensamentos suicidas, como você o trataria? Você o trataria com bondade e preocupação. Você faria qualquer coisa para impedi-la de cometer suicídio. Mas nesse caso você é a pessoa que precisa de ajuda e merece ser tratado com o mesmo carinho e amor que daria a alguém.
·         Existem alguns mitos sobre o suicídio que podem deixar as pessoas com pensamentos suicidas se sentindo pior ainda. É um mito que o sentimento suicida é egoísta e que as pessoas que cometem suicídio fazem isso sem se preocupar com as outras pessoas. Conhecer esses mitos e saber separá-los da realidade pode ajudá-lo a ser mais gentil consigo mesmo quando estiver se sentindo assim.
2. Passe tempo com pessoas que não sejam críticas. Sua rede de apoio é muito importante quando se está lidando com pensamentos suicidas. Você precisa de pessoas que podem ouvi-lo sem julgá-lo e que não tentarão dar conselhos que possam magoar mais do que ajudar. Pessoas bem-intencionadas muitas vezes dizem coisas como 'isso não é uma boa razão para ser suicida' ou 'sua vida é boa por que você está tão triste?'. Ouvir esse tipo de coisa pode fazer você se sentir culpado por ter esses pensamentos e isso é a última coisa de que precisa. É importante ter pessoas com quem você pode contar e que entendam que ser suicida não funciona dessa maneira - não é algo que você possa simplesmente desligar.
·         Às vezes é mais difícil falar com pessoas mais chegadas do que falar com um psicólogo. Você pode não querer preocupar sua família ou talvez ache que eles não conseguirão entender pelo que está passando. Psicólogos que tenham experiência em trabalhar com pessoas suicidas podem ajudar você a encontrar ferramentas para lidar com esses pensamentos, sem julgá-lo ou adicionar mais sentimentos negativos aos já existentes.
3. Pense no que você ama. Faça uma lista de tudo que o enche sua vida de bons sentimentos ou algo que associe com bondade e amor. Anote tudo que o ajudar a se lembrar por que você queria viver antes de se sentir suicida. Escreva os nomes das pessoas que ama, seus filmes, livros e música favoritos, assim como seus lugares, alimentos e experiências mais amados.
·         Também escreva o que ama sobre si mesmo. Anote as coisas de que se sente orgulhoso, como realizações, elogios que recebeu e traços favoritos de sua personalidade.
·         Escreva as coisas que deseja fazer no futuro. Anote os planos que você fez, experiências que sempre quis ter, pessoas que deseja conhecer melhor, lugares que quer visitar.
4. Faça uma lista de boas diversões. Outra coisa que ajuda as pessoas que se sentem suicida é ter diversões que ajudem a dar à mente um descanso. Existe algo que fez no passado para se sentir melhor? Qualquer coisa que dê alívio a sua dor e ajude a remover os pensamentos de suicídio é uma boa diversão. Aqui estão algumas coisas que ajudaram outras pessoas:
·         Chamar um amigo para conversar
·         Comer sua refeição preferida
·         Passar tempo com seu animal de estimação
·         Escrever, pintar ou fazer música
·         Ir ao cinema
·         Assistir uma maratona de seu programa de TV favorito
·         Comer uma sobremesa deliciosa
·         Fazer uma viagem com os amigos
·         Fazer uma longa caminhada ou corrida
·         Passar tempo na natureza
·         Jogos videogame
·         Ser voluntário na comunidade
·         Assistir vídeos engraçados na internet
5. Escreva os nomes das pessoas que você pode chamar. É bom ter uma lista de nomes e números de telefone das pessoas que terão tempo para falar com você sempre que puderem. Escreva o nome das pessoas que ama e confia. Anote pelo menos 5 ou mais nomes, pois se alguém não puder falar, você poderá ligar para outra pessoa.
·         Inclua o nome e número de seu psicólogo e psiquiatra, caso se sinta confortável para ligar para eles.
6. Faça um plano de segurança para eliminar os pensamentos suicidas quando eles aparecerem. Este é um plano personalizado que você pode usar para parar de pensar em suicídio quando seus pensamentos forem demais para suportar. Quando se tem pensamentos suicidas, é difícil tomar decisões ou ter ideias, mas se você tiver um plano de segurança, tudo que precisará fazer é segui-lo. Complete todos os itens da lista até se sentir seguro novamente. Aqui está um exemplo de plano de segurança:
·         1. Ler a lista de coisas que ama. Lembre-se de coisas que ajudaram a acabar com os pensamentos de suicídio no passado.
·         2. Ler a lista de boas diversões. Tente fazer coisas que o fizeram se esquecer dos pensamentos suicidas antes.
·         3. Ligar para alguém da lista de pessoas que você pode chamar. Continue ligando até encontrar alguém da lista que pode conversar com você pelo tempo que precisar.
·         4. Adiar meu plano por 48 horas e deixar minha casa segura. Prometa não cometer suicídio sem antes pensar em todas as outras opções.
·         5. Pedir para alguém vir ficar comigo. Se ninguém puder vir, vá para algum lugar onde se sinta seguro.
·         6. Ir para o hospital. Dirija-se você mesmo ou peça para alguém levá-lo.
·         7. Ligar para o CVV: 141.


Método 3: Encontre a Raiz do Problema
1. Pense sobre por que isso está acontecendo. Quando estiver em um estado mental mais calmo e seguro, reflita por que isso está acontecendo com você. É algo que aconteceu antes ou é a primeira vez? Os pensamentos suicidas podem ser causados por muitas coisas diferentes e é muito importante encontrar a raiz do problema para que você possa ver a sua situação de forma objetiva, tomando o caminho certo para acabar com esses pensamentos.
·         Depressão, esquizofrenia, bipolaridade, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições mentais muitas vezes levam a pensamentos suicidas. Estas condições geralmente podem ser tratadas com terapia e medicação. Se você tiver uma condição mental que está fazendo com que se sinta suicida, consulte um profissional e comece a explorar as opções de tratamento.
·         Pessoas que tiveram certas experiências muito dolorosas na vida são mais propensas a terem sentimentos suicidas. Se você já sofreu assédio moral, abuso sexual, pobreza, desemprego, doença grave, ou uma perda afetiva, é importante obter o apoio de pessoas que já passaram por isso e entendem pelo que está passando. Procure organizações e grupos de apoio que podem fornecer recursos para ajudar a mudar a sua situação.
·         Certas circunstâncias podem fazer com que você se sinta impotente, isolado ou desgastado mental e fisicamente - sentimentos que muitas vezes levam a pensamentos suicidas. Você pode se sentir como se já cometeu muitos erros ou que pessoas demais já o magoaram e que você não quer mais viver. Mas, apesar de ser impossível ver isso agora, essas circunstâncias são temporárias. As coisas vão mudar e a vida vai ficar melhor novamente.
·         Se não souber por que está se sentindo suicida, é importante procurar um profissional para descobrir o que está acontecendo. Você será mais capaz de lidar com esses pensamentos se eles voltarem.
2. Identifique o que os desencadeiam. Às vezes, pensamentos suicidas aparecem por causa de certas pessoas, lugares ou experiências. Nem sempre é fácil descobri-lo. Reflita e veja se reconhece padrões que podem dar pistas do motivo desses pensamentos. Aqui estão alguns exemplos de coisas que podem desencadeá-las:
·         Drogas e álcool. Os produtos químicos nas drogas e álcool podem fazer pensamentos e sentimentos depressivos virarem suicidas.
·         Pessoas abusivas. Passar algum tempo em volta de uma pessoa que seja fisicamente ou emocionalmente abusivo pode provocar pensamentos suicidas.
·         Livros, filmes ou música tristes. Para algumas pessoas, assistir filmes, ler livros e ouvir músicas tristes podem ser extremamente negativos.
3. Saiba como lidar se você ouvir vozes. Algumas pessoas ouvem vozes que dizem como elas devem se comportar de uma determinada maneira. Essa situação é considerada um sintoma de doença mental, sendo tratada com medicamentos, mas isso não funciona para todo mundo. Se você ouvir vozes dizendo-lhe para se machucar, é importante procurar ajuda imediata. Depois que essas vozes se acalmarem um pouco, explore formas de compreendê-las melhor para saber como lidar com elas no futuro.
4. Consiga a ajuda que precisa. Não importa por que você está tendo pensamentos suicidas, tomar medidas para obter algum tipo de ajuda é a única maneira de fazê-los parar. Ter um plano de ação para lidar com o problema e criar um trabalho de longo prazo para entender seus sentimentos e alterar essa situação pode ajudá-lo a se sentir melhor novamente. Por isso, procure a ajuda profissional de um psicólogo e um psiquiatra.
·        Descobrir um plano de tratamento nem sempre é fácil. Você precisará encontrar um psicólogo que tenha uma abordagem que funcione para você. Também é possível optar por uma medicação ou uma combinação de medicamentos e psicoterapia para resolver o problema. Não tem problema caso não obtenha resultados imediatos, o importante é continuar tentando. Continue usando seu plano de segurança toda vez que precisar e trabalhe duro para se sentir melhor.
·         É importante saber que você, talvez, nunca estará totalmente seguro quanto a não ter mais pensamentos suicidas. Para algumas pessoas eles desaparecem por completo, para outros esses pensamentos vêm e vão ao longo da vida. Mas é possível aprender a lidar com eles para poder viver uma vida feliz e saudável.



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.


Texto livremente traduzido e adaptado para a nossa realidade.