quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Fatores de Risco e Sinais de Alerta


O que leva uma pessoa ao suicídio?
Não há uma causa única para o suicídio. Suicídio na maioria das vezes ocorre quando acontecimentos estressantes na vida de uma pessoa excedem sua capacidade e suas habilidades de enfrentá-los; sendo essa pessoa, em geral, alguém que sofre de algum transtorno mental. A depressão é a condição mais comum associada com o suicídio e o que acontece, frequentemente nesse caso, é a pessoa não ser diagnosticada ou tratada. Condições como problemas de depressão e o uso abusivo de drogas, aumentam o risco de suicídio. No entanto, é importante afirmar que a maioria das pessoas que gerenciam ativamente seus problemas de saúde mental conseguem levar normalmente as suas vidas.

Sinais de alerta de suicídio
Algo para se prestar atenção quando existe a preocupação se uma pessoa pode ser suicida é a ocorrência de uma mudança drástica no comportamento ou a presença de comportamentos inteiramente novos. E essa preocupação deve, de verdade, aumentar, se o comportamento novo ou modificado está relacionado a um acontecimento doloroso, a uma perda ou mudanças na vida. A maioria das pessoas que tiram suas vidas apresentam um ou mais sinais de alerta, seja através do que dizem ou do que elas fazem. Preste atenção!

Conversa
Se uma pessoa falar sobre:
  • Estar sendo um fardo para os outros
  • Que está sentindo-se presa
  • Experimentando uma dor insuportável
  • Não tem nenhuma razão para viver
  • Matar-se

Comportamento
Atitudes que podem a chamar a atenção, incluem:
  • Aumento do uso de álcool ou outras drogas
  • Procurando uma maneira de se matar, como a busca on-line por formas ou meios
  • Agir de forma arriscada
  • Deixar de lado atividades costumeiras
  • Isolar-se da família e amigos
  • Dormir exageradamente ou muito pouco
  • Visitar ou chamar as pessoas para despedir-se delas
  • Agir de forma mais tempestuosa ou agressiva

Humor
As pessoas que estão pensando em suicídio muitas vezes exibem um ou mais dos seguintes afetos:
  • Depressão
  • Perda de interesse
  • Raiva
  • Irritabilidade
  • Humilhação
  • Ansiedade

Fatores de Risco de Suicídio
Os fatores de risco são características ou condições mais específicas que quando presentes aumentam a chance de uma pessoa cometer suicídio.
Fatores de Saúde
  • Condições de saúde mental
    • Depressão
    • Bipolaridade
    • Esquizofrenia
    • Transtorno de personalidade borderline ou antissocial
    • Transtorno de conduta
    • Distúrbios psicóticos ou sintomas psicóticos no contexto de qualquer distúrbio
    • Os transtornos de ansiedade
  • Desordens de abuso de drogas
  • Condição e / ou dor aguda ou crônica de saúde
Fatores Ambientais
  • Os eventos estressantes que podem incluir uma morte, divórcio ou perda de emprego
  • Fatores de estresse prolongado que pode incluir assédio, intimidação, problemas de relacionamento, e o desemprego
  • O acesso aos meios letais incluindo armas de fogo e drogas
  • A exposição ao suicídio de outra pessoa ou à noticiário jornalístico sensacionalista de suicídio
Fatores Históricos
  • Anteriores tentativas de suicídio
  • História familiar de tentativa de suicídio

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada de um psicólogo e psiquiatra.



Texto original: Risk Factors and Warning Signs





Texto livremente traduzido e adaptado



domingo, 14 de agosto de 2016

Carta Para Meu Futuro Eu Recuperada da Automutilação


Prezada Eu Recuperada,
Se você está lendo isto é porque nós fizemos essa recuperação acontecer. Eu quis que fosse você escrevendo esta carta para mim para me dar a certeza de que farei isso - e alguns conselhos, se você puder. Eu acho que eu não tenho que lhe dizer como é difícil, mas vou recuperá-la de qualquer maneira.
Tenho dias em que é muito difícil manter minha mente longe da dor. Eu penso em voltar para os velhos hábitos dos cortes, que nos ferem tanto. Eu tento me projetar em você, mas você recuperada parece ainda algo muito obscuro e quase inacessível. Eu imagino que você está lendo esta carta agora e pensa quão tola eu sou (não ria, lembre-se que eu sou você); e isso é bom, porque você vai dizer que eu estava errada e não havia necessidade de me torturar todas as noites com os meus pensamentos.
Estou tentando imaginar como você (eu) estará no futuro.... Você ainda tem as cicatrizes? Será que elas fazem você triste ou te tornaram mais forte? Você está finalmente feliz ou você desistiu da vida? Eu tenho um monte de perguntas.
De verdade, eu penso em você, no futuro, como uma pessoa forte, agora que você está recuperada e atravessou esse inferno de emoções e pensamentos negativos, de cortes e dores. Realmente não importa se você tem as cicatrizes; elas vão ser como medalhas no peito de um soldado. Eu quero e preciso acreditar que você conquistou a batalha contra a automutilação, que você foi e é capaz de fazer coisas incríveis em sua vida; porque não há nenhuma batalha mais difícil que eu tenha conhecido do que esta de lutar contra uma doença invisível que mata lentamente. 
 Eu só quero pedir-lhe mais uma coisa. Nunca esqueça a dor que eu estou sentindo agora. Não se debruce mais nela, mas mantenha o seu coração sensível à dor dos outros. Eu quero que você deixe vestígios de esperança por onde você for – esperança de que podemos iluminar essa escuridão que estamos a atravessar. Quero olhar para você e conhecê-la um dia, não tão longe no futuro, e ter orgulho de você, não só porque você fez isso, mas porque você ajudou outros também. E o mais importante, eu quero que sejamos a mesma pessoa: recuperada, compreensiva e mais forte do que nunca.
Obrigado por me inspirar a me manter em movimento.
Ame,
Eu


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada.

Texto original: A Letter to Future Me, Who Will Have Recovered From Self-Harm, by Sandy Borrás

Texto livremente traduzido e adaptado

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Falta de cuidado com a saúde mental leva médicos à depressão, dependência química e ao suicídio


Valéria Mendes - Saúde PlenaPublicação:27/03/2014 09:00Atualização:27/03/2014 10:05
Autossuficiência é a palavra que pode sintetizar a dificuldade que o médico tem de procurar ajuda quando adoece. No livro, ‘Médico como Paciente’, a autora e doutora em psiquiatria Alexandrina Meleiro cita o benefício da ignorância como um fator que protege a pessoa leiga de compreender o que vai lhe acontecendo e permite que esse paciente acredite na palavra do médico. Nesse contexto, sentimentos como onipotência e vergonha fazem com que muitos profissionais assumam a automedicação. As consequências são variadas, mas quando o assunto é saúde mental, vemos a categoria amargar incidência alta de dependência química, depressão e taxa de suicídio. No Brasil, essa discussão ainda é tímida.

Psiquiatra, coordenador da Comissão de Atenção à Saúde Mental dos Médicos, membro emérito da Academia Mineira de Medicina e idealizador da I Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos, José Raimundo da Silva Lippi lembra que as pessoas podem alcançar um nível intelectual muito grande, mas mesmo assim ser emocionalmente frágil. “A saúde mental é um estado que vai sendo alcançado através da capacidade que o ser humano tem de tolerar níveis cada vez maiores de tensões e de frustrações. O homem saudável não é aquele que vence as frustrações, porque elas não são elimináveis, mas sim o que tolera bem os níveis de decepção”, explica.
O médico afirma que quando o estresse está acima do suportável para a pessoa, se ela não procurar ajuda, os descaminhos podem ir da ansiedade ao suicídio. “Quando esse estresse supera o nível que o organismo resiste, os sinais começam a aparecer. Pode redundar em não dormir bem, perder o apetite ou ter apetite exagerado, diarreia, dores que são suportáveis para outras pessoas, mas são muito grandes para os que estão com equilíbrio emocional desorganizado”, salienta.

Para ele, os médicos são motivados pelo desejo de salvar vidas mas a que chamar a atenção não só da classe médica, mas também da população para a peculiaridade da profissão e os riscos que envolvem esse labor. “Falta de condições de trabalho, excesso de carga horária, a tensão da relação médico-paciente são alguns fatores que aumentam a vulnerabilidade do médico em relação a outras profissões. É alguém que precisa conviver com a frustração de não ter salvado uma vida. Às vezes, por imaturidade ou por se considerar um ‘semideus’ sofre mais que os outros”, enfatiza. Lippi acredita que os profissionais precisam se livrar das amarras da onipotência de acharem que sabem de tudo, de deixar a vergonha de lado e procurar ajuda. “Nenhum médico é obrigado a saber toda a medicina, os colegas estão aí para isso”, diz.

Lippi afirma que a depressão é a doença mental mais comum entre os médicos, inclusive entre os psiquiatras. “Todos são suscetíveis a patologias de ordem mental, principalmente aqueles que não se cuidam. É importante lembrar que o remédio cuida do sintoma, mas as causas precisam de atenção na psicoterapia. O médico pode ser um bom ‘receitador’, mas se não souber o que o cliente tem, não vai resolver o problema”, explica. Por isso, a automedicação não deve ser vista como solução.

Suicídio 
“Os médicos se suicidam cinco vezes mais que a população geral”, afirma a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), coordenadora da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio da ABP e membro do Grupo de Atenção da Saúde Mental do Médico. Apesar de ser uma atitude drástica, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem alertado para o aumento da incidência na taxa de suicídio: um milhão de pessoas se mata no mundo anualmente ou uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, observa-se um crescimento de 30% no suicídio entre jovens do sexo masculino nas últimas décadas. Entre os médicos, segundo Alexandrina, os mais vulneráveis estão na faixa etária de 35 a 50 anos.

Suicídio tem prevenção. Isso por que a quase totalidade dos casos – 99% - está associada a um transtorno psiquiátrico. A saúde mental é negligenciada por motivos que vão desde a falta de uma rede de apoio organizada para atender o paciente, no caso do Brasil, até não ser reconhecida socialmente como doença em muitos casos. No senso comum, por exemplo, a depressão é confundida com episódios de tristeza e desventuras da vida. Todo esse contexto de preconceito, falta de informação e tabu agrava a busca por ajuda quando o doente é o médico. Problemas de ordem mental ainda são vistos como motivo de vergonha e assunto para – se for para conversar – que seja baixo para ninguém ouvir. Enquanto isso, pessoas têm suas vidas desestruturadas, muitas tentam se matar para amenizar o sofrimento e outras tantas conseguem.

O suicídio é um tema tão complicado que é estimado um número de vítimas duas ou três vezes maior em razão da subnotificação ao registrar a causa da morte. Curiosamente, no caso de médicos, a psiquiatra Alexandrina Meleiro aponta em artigo intitulado ‘Suicídio na população médica: qual a realidade? ’, publicada na edição deste mês da Revista Brasileira de Medicina, uma situação contrária. “Na população geral, existe uma tendência de o médico não registrar que a causa da morte foi por suicídio. Geralmente, registra-se a causa externa da internação, como, por exemplo, queda de altura, envenenamento, intoxicação exógena (excesso de remédio). Um levantamento de atestados de óbitos feito pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) mostrou que, quando a profissão da vítima era a medicina, a palavra suicídio aparecia. Uma das hipóteses é que, por se tratar de um colega, o rigor da notificação é maior. E aí fica a pergunta: será que, de fato, os médicos se suicidam mais ou houve um zelo maior quando se tratava de médico? A resposta eu não sei”, problematiza a psiquiatra.

Alexandrina Meleiro afirma que outra razão para a subnotificação na população geral é que os seguros de saúde e seguros de vida geralmente não cobrem situações de ato voluntário contra a própria vida. “É comum na prática médica registrar a causa externa para proteger a família da vítima”, explica.

O levantamento do CREMESP publicado em 2012 mostra também que, entre as causas externas de morte de médicos em São Paulo, o suicídio aparece em segundo lugar: 21% no caso das mulheres e 18% em homens (veja gráfico). Em primeiro, está o acidente automobilístico, mas para Alexandrina Meleiro, paira uma dúvida: “Foi um acidente de fato ou a vítima usou o carro como meio de suicídio?”, questiona. “Temos um alto índice de mortes por acidentes automobilísticos entre os médicos jovens e não há diferença entre os gêneros. Há um quadro autodestrutivo em que indivíduo teria alguma intenção suicida, são os chamados ‘autocídios’”, explica.
Tipo de morte por causas externas descritas como causa básica de morte de médicos no Estado de São Paulo entre os anos de 2000 e 2009, de acordo com o gênero (Dados sobre mortalidade dos médicos no Estado de São Paulo, CREMESP, 2012)
Meleiro aponta algumas hipóteses em relação ao comportamento dos médicos que cometem suicídio:
1. Manifestam especial vulnerabilidade ou experiências de eventos circunstanciais diferentes (recente perda profissional ou pessoal, problemas financeiros ou de licença) em relação aos outros médicos;
2. Tendem a trabalhar mais horas que os outros colegas;
3. Tendem a abusar de álcool e outras substâncias;
4. Estão mais insatisfeitos com suas carreiras médicas que outros médicos;
5. Dão sinais de aviso da intenção de suicidar-se a outros;
6. Têm transtorno mental e emocional com mais frequência;
7. Tiveram dificuldades na infância e seus problemas familiares são comuns;
8. Automedicam-se mais frequentemente que os outros colegas

Dependência química 

Trabalho realizado em 2004 na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) intitulado ‘Perfil Clínico e Demográfico de Médicos com Dependência Química’ mostra que os médicos apresentam taxas similares de uso nocivo e dependência de substâncias em relação à população geral. A incidência varia entre 8% e 14%. O estudo coletou dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química.

A frequência de uso nocivo e dependência de opióides (anestésicos derivados da morfina) e BZD ou benzodiazepínicos (popularmente conhecidos como tranquilizantes de tarja preta) é aproximadamente cinco vezes maior entre os médicos que na população geral. Alexandrina Meleiro aponta que o uso de opióides é motivo de suicídio principalmente entre anestesistas.

José Raimundo Lippi alerta ainda que a facilidade de acesso a esses opiácios é uma porta de entrada para a dependência química entre médicos. “Drogas medicinais que só são encontradas em hospitais, principalmente as medicações usadas em anestesia, aparecem como solução para o alívio de tensão”, afirma. Gráficos abaixo mostram alguns resultados do estudo da Unifesp:

Drogas mais consumidas entre os médicos acompanhados:


Especialidades médica mais envolvidas em dependência química:
'Perfil Clínico e Demográfico de Médicos com Dependência Química', trabalho realizado em 2004 na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina (Unifesp)


O estudo mostrou também os diagnósticos mais encontrados. Em primeiro apareceu a depressão, seguida de transtorno afetivo bipolar e transtornos de personalidade. Na sequência, esquizofrenia e transtorno de ansiedade generalizada. Os pesquisadores apontaram ainda as situações facilitadoras para dependência de drogas. Veja:
 1) acesso fácil aos medicamentos
2) perda do tabu em relação a injeções
3) história familiar de dependência
4) problemas emocionais
5) estresse no trabalho e em casa
6) busca de emoções fortes
7) auto-administração no tratamento para dor e para o humor
8) fadiga crônica
9) onipotência e padrão de prescrição exagerada
10) os de especialidade de alto risco (Anestesiologia, Emergência e Psiquiatria)

DEPOIMENTO:
Super-herói de carne e osso
Uma médica e professora universitária de Belo Horizonte que não quer ser identificada conversou com o Saúde Plena. Ela será chamada de Márcia e conta que já se envolveu emocionalmente em histórias não apenas de colegas de profissão, mas de amigos e nomes de referências na medicina que se perderam em jornadas exorbitantes de trabalho que, segundo ela, variam entre 80 a 100 horas semanais. “O médico tem adoecido por um excesso de cobrança, falta de descanso, de sono reparador, uma dieta inadequada, falta de tempo com a família e de uma atividade física, um quadro que leva a uma sobrecarga mental. A carga de responsabilidade é tão grande que muitas vezes conduz a um estado de exaustão”, afirma ela. 

Nas três histórias que Márcia acompanhou de perto os profissionais não procuraram ajuda. “A fiscalização não é rígida a esse ponto. O médico pode, por exemplo, prescrever o remédio para esposa, mas para ele usar. Eu mesma já prescrevi para mim. Às vezes é uma questão de praticidade e pode começar com um medicamento para ajudar a dormir. No meu caso, nunca me tratei sozinha e nunca fui dependente de nada, mas tenho várias histórias para contar de ex-professores e amigos. Eles precisaram ser afastados e, em alguns casos, se envolveram até em problemas judiciais”, relata. 

O primeiro foi de uma professora referência em trauma com atuação no setor de urgência e emergências de hospitais na cidade. “Era uma pessoa extremamente capacitada, mas tinha uma jornada de trabalho de quase 100 horas semanais. Ela amava o trabalho que fazia e não era casada. Não cuidava quase nada da vida pessoal. Foi quando começou a injetar no próprio corpo um medicamento chamado fentanil que traz uma sensação de alívio, mas é perigosíssimo porque causa várias alterações no organismo e pode até provocar a morte das pessoas. Ela entrou num ciclo de vício tão grande que começou a roubar o remédio do hospital para sustentar o vício. Lembro de um dia ela chegar na sala de aula com a marca do garrote no braço. Foi um choque muito grande por ela ser uma referência para inúmeros profissionais e parou, inclusive, de exercer a medicina”, conta.

Márcia também se recorda de uma história que, infelizmente acabou em morte. “Ele era um padrinho na medicina para mim. Além da graduação em medicina, tinha também a de farmácia. É um exemplo de um profissional que trabalhava muito e começou a oscilar entre buscar uma vida mais equilibrada e entrar na destruição total. Nesse período, os colegas mais próximos costumavam brincar que ele tinha a época do zig, em que comia bem, dormia bem, não bebia e fazia exercício físico; e a época do zag, em que bebia todos os dias e, por compulsão alimentar, comia tudo que viesse na cabeça. Teve um dia em que ele foi buscar umas daquelas fitinhas de exame para detecção de glicose na urina e foi ao banheiro. Como ficou um pouco de urina na mão dele e ele segurou as fitinhas, fez o exame e acabou descobrindo que estava diabético. A pressão arterial dele também era desequilibrada e, aos 53 anos, faleceu de infarto agudo do miocárdio”, recorda-se. 

A médica cita também o caso de uma colega casada e com filhos que pegava muitos plantões por semana para, segundo Márcia, pagar as contas. “Ela não descansava. Uma noite, saindo de um desses plantões, foi convidada para tomar cerveja e aceitou. Alguém ofereceu para ela um cigarro que tinha crack. Ela fumou sem saber e começou a se viciar. Tenho amigos que chegaram a buscá-la em cracolândia completamente fora de si. Já faz três anos que ela está em fase de recuperação”, narra. Para ela, a colega descobriu no crack um mecanismo de fuga para aliviar a tensão e tirá-la da rotina maçante.

Márcia acredita que a sensação de uma suposta autossuficiência dificulta que o médico procure ajuda. “Sou médico, sei me tratar. É como se o médico não pudesse fracassar e não pudesse mostrar esse lado humano. E a sociedade ainda acha que o médico sempre tem que dar conta, mas somos um super-herói de carne e osso, tão carne e osso quanto o paciente”, pondera. Para ela, é importante refletir: “até que ponto vale a pena trabalhar tanto parar sustentar um padrão de vida?”. 

A médica diz que gostaria de convidar os colegas a refletir sobre os seguintes pontos: tempo de jornada de trabalho, tempo para praticar exercício físico, tempo para estar com os filhos e com a família, cuidado com a alimentação. Ela cita o modelo ‘Dahlgren & Whitehead’ de qualidade de vida para nortear a atenção que as pessoas devem dar aos fatores que estão relacionados à saúde. Veja: 
Modelo 'Dahlgren & Whitehead' de qualidade de vida

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/03/27/noticia_saudeplena,148058/falta-de-cuidado-com-a-saude-mental-leva-medicos-a-depressao-dependen.shtml

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.






Homens brancos não falam de seus sentimentos... Eles se suicidam


        “Ser homem” deveria ser acrescentado à lista de fatores de risco de suicídio.

Nos Estados Unidos, há uma média de 117 suicídios todos os dias.
Em 2014, 7 em cada 10 dessas mortes foram de homens.
Por muitos anos, esse tem sido o assunto: Os homens tiram suas próprias vidas a uma taxa quase quatro vezes maior do que as mulheres. As crescentes taxas de suicídio em homens têm sido chamadas de uma "epidemia" pelos principais jornais e médicas.
Quase todo mundo sabe sobre este fato e esta estatística apenas representa as mortes por suicídio confirmadas. O verdadeiro número de suicídios masculinos é provavelmente muito maior: homens bebem até a morte, basicamente se automedicando para evitar dores emocionais intoleráveis e se envolvem em comportamentos extremamente arriscados, frequentemente levando a mortes prematuras “acidentais” como forma de distração da realidade de suas vidas. Sem dúvida, o suicídio é um fenômeno que afeta desproporcionalmente os homens.
O que é ainda mais preocupante, tendo em conta estas estatísticas, é que os homens em comparação com as mulheres ainda têm metade da probabilidade de serem diagnosticados com depressão. Isto significa que, embora os homens estejam sofrendo, eles não estão procurando ajuda e, quando procuram, não estão recebendo o tratamento adequado.
Se o suicídio deve ser abordado eficazmente, ele precisa ser entendido. Isto significa falar abertamente sobre o grupo humano a que pertencem as vítimas; quem eles são e por que cometem suicídio, para começar. Boa parte das pesquisas mencionam os adolescentes, veteranos de guerra e comunidades aborígenes como tendo taxas desproporcionalmente altas de suicídio. Mas não menciona os homens, em si, como um grupo de corte. Entretanto, o fato é que o suicídio é completado mais por homens e, como raça, nos Estados Unidos e possivelmente no mundo, os homens brancos são os que apresentam a maior incidência de suicídio. Na década de 1990, a maioria esmagadora dos suicídios nos Estados Unidos foi cometida por homens brancos (73%), seguida de mulheres brancas (18%), homens negros (6%) e mulheres negras (1%).
Nós falamos com o Dr. John Oliffe, fundador e principal investigador do programa de Pesquisa em Saúde Masculina da Universidade British Columbia, para explorar algumas das razões por que as taxas de suicídio são tão altamente desproporcionais entre os homens, e aprender o que é preciso fazer para dar suporte aos homens e o que eles precisam saber para entender que é legal e importante pedir ajuda. Afinal, por que isso acontece?
Aqui estão alguns fatores potenciais:
1. Os sintomas da depressão são mais difíceis de ser detectados nos homens.
Dr. Oliffe explica que, mesmo quando os homens procuram ajuda muitas vezes apresentam sintomas que geralmente não são associados com depressão.
"Irritabilidade, overdose de álcool, colocar-se em situações de risco. Estes podem ser sintomas depressivos em um homem ", disse ele. "Mas os médicos, clínicos, não avaliam dessa forma."
Isso não quer dizer que homens nunca choram ou não mostram o que pode ser considerado de sintomas "estereotipados", mas isso não significa que fica mais fácil detectar os sinais de alerta para depressão ou algo mais grave.
O Dr. Oliffe disse que se deparou com esse problema em sua pesquisa. Ele viu o quanto é difícil identificar quando os homens estão deprimidos, e quando entrevistados, raramente vão usar a palavra "depressão" para descrever o quadro de como se sentem, optando geralmente pela palavra "estressado". 
De acordo com o HeadsUpGuys, um recurso online para homens que enfrentam a depressão  e que fornece informações e dicas de práticas para gerir e prevenir a depressão nos homens, ao explicar que outros sinais de depressão incluem mudança significativa de peso, perda de concentração, comportamento imprudente e dores físicas, como dores nas costas e dores de cabeça – esses sinais são facilmente confundidos por quem acha que a depressão é apenas tristeza, com isso parando de pensar que, de fato, podem estar desenvolvendo um transtorno bem mais grave.
2. Os homens não se sentem à vontade em ​​expressar suas emoções, por isso estão mais propensos a se isolarem.
Se um homem pensa e se sente que ele sempre tem que ser "forte" - e, portanto, não pode ficar vulnerável - ele pode começar a isolar-se, em vez de se abrir e falar com alguém sobre o que está acontecendo. Isto é especialmente perigoso, considerando que a falta de conexão com outros, familiares e amigoso isolamento, é um dos principais fatores de risco para uma tentativa de suicídio. 
"Não se trata apenas do cara ficar solitário num canto", explicou Dr. Oliffe. "Eles podem até ter pessoas ao seu redor, mas eles simplesmente não estão conectados com essas pessoas."
3. Os homens são mais propensos a tentar o suicídio usando meios mais mortais.
Ao tentar o suicídio, os homens são mais propensos do que as mulheres a usar meios mais mortais. Um estudo descobriu que 62 % dos homens contra 40% das mulheres, usaram o enforcamento ou armas de fogo em suas ações suicidas. Isso significa que para cada tentativa de suicídio que acorra, é bem mais provável que um homem venha realmente morrer.
Todos os homens são diferentes. Mas se você tem um homem em sua vida com quem está especialmente preocupado, aqui estão algumas coisas ditas pelo Dr. Oliffe que podem ajudar:
Não lhe tirar a sensação de controle: Se um homem se recusa a procurar ajuda, sugira apenas, chegando a ele de uma forma não conflituosa ou impositiva, mas encorajando-o a procurar ajuda de uma forma que ele se sinta que permanece no controle sobre a situação.
Procure apoio na comunidade:  Dr. Oliffe sugere alternativas que se ofereçam para as vias tradicionais de receber apoio. Se um homem se recusa a ver um médico ou um psicólogo, talvez haja algum tipo de serviço baseado na comunidade onde você mora, como a igreja ou centros comunitários, onde você pode indicar-lhe para obter aconselhamento.
Acompanhamento:  A recuperação é um processo as vezes lento e difícil e que, portanto, não significa que não haverá armadilhas ou recaídas mais na frente. É preciso continuar a ser solidário e paciente ao longo do processo de recuperação. 
Informá-lo sobre depressão e doença mental:  Depressão e outras doenças mentais não são fraquezas. É preciso deixar isso bem claro! Muitos homens permanecem em silêncio em seu sofrimento porque temem ser julgados e estigmatizados por não conseguirem viver de acordo com os padrões estabelecidos de masculinidade que lhes impõem que sejam fortes e invulneráveis. Sofrer de depressão não faz de nenhum homem "menos homem." Encoraje-o a se informar sobre depressão.
Começar a quebrar o silêncio e estimular a conversa sobre a questão da depressão e suicídio masculino, precisam acontecer já. E isso começa com cada um de nós.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada.



Textos originais: Why We're Losing So Many Men to Suicide – and What We Can Do About It  By Sarah Schuster http://themighty.com/2016/03/why-were-losing-s0-many-men-to-suicide-and-what-we-can-do-about-it2/
Com acréscimos do texto: O relógio corre em suicídios masculinos By Peter Wright http://br.avoiceformen.com/recomendados/o-relogio-corre-em-suicidios-masculinos/

Tradução livre e adaptada

domingo, 24 de julho de 2016

É hora de reconhecer e evitar a tragédia do suicídio de médicos


Rembrandt : A Lição de Anatomia do Dr. Tulp (1632) 

O suicídio entre estudantes de medicina e médicos tem sido um fenômeno em grande parte não reconhecido por décadas, obscurecido por segredo e vergonha.

Em um estudo de seis escolas médicas, cerca de 1 em cada 4 alunos relataram sintomas clinicamente significativos de depressão. Quase 7% disseram que tinha pensado em acabar com suas vidas nas últimas duas semanas.



Segundo um estudo do Conselho Federal de Medicina, o tipo de morte por causas externas descritas como causa básica de morte de médicos no Estado de São Paulo, de acordo com o gênero, revelou que suicídios ocorrem mais entre as mulheres médicas, representando 3,1% do total de óbitos, enquanto nos homens é de 1,6%. A população feminina de médicas tem uma alta taxa de suicídio, comparada à população geral feminina e mesmo à população masculina de médicos. 

Existe grande resistência por parte da população em aceitar que as mesmas pessoas nas quais confia sua saúde podem vir a ter doenças mentais.


Aqui vai a revelação de um segredo lamentável que a maioria dos estudantes de medicina não sabem, até que seja tarde demais: Os médicos são mais propensos a tornarem-se deprimidos, sofrerem de síndrome de burnout e morrerem por suicídio do que outros homens e mulheres na população em geral. Às vezes, a depressão e o suicídio são o resultado de problemas que surgem muito lentamente e vêm de longa data. Outras vezes, eles parecem vir do nada.
Um dos meus papéis na Northwestern University Feinberg School of Medicine, onde trabalho, é de médica ligado à saúde. Uma sexta-feira à tarde, recebi um telefonema de carácter urgente de um médico anestesista. Quando liguei de volta, ele me contou sobre uma cirurgia que tinha sido terrivelmente complicada na semana anterior - e como ele agora estava pensando em suicídio.
Ele é um residente sênior e tinha administrado anestesia a um jovem em um procedimento relativamente rotineiro. Seu paciente havia recebido alta e foi para casa no final do dia. Na manhã seguinte, o jovem foi encontrado morto em sua cama.
Meu colega, que tinha construído uma importante reputação ao longo de três décadas de prática, ficou devastado. Ele nunca tinha experimentado nada parecido com a morte deste paciente. Ele não conseguiu dormir naquela noite depois de receber a notícia, e não tinha dormido mais de duas ou três horas por noite desde então. Ele tem ido trabalhar todos os dias, mas tem tido dificuldades para comer e se concentrar em seu trabalho clínico. Disse que analisou o seu procedimento várias e várias vezes, tentando determinar o que, ou se alguma coisa, poderia ter sido feita de forma melhor ou diferente. E também falou que não conseguia parar de pensar na imagem da visão dos rostos dos pais chocados e de luto pela morte do seu paciente.
Com sua confiança profundamente abalada, ele questionou se  deveria continuar exercendo a medicina. Falou que se sentia isolado, apesar de alguma solidariedade recebida de outros colegas médicos e, acima de tudo, sentia-se profundamente envergonhado - do que, ele não tinha certeza.
Nós conseguimos que se licenciasse por uma semana, e começou a fazer terapia. Com a ajuda de alguma medicação para ajudá-lo a dormir, e ser capaz de processar sua experiência comigo, ele começou a se sentir melhor e já não tinha pensamentos suicidas.
A cada ano nos Estados Unidos, de 300 a 400 médicos morrem de suicídio - que é um por dia, ou o equivalente a duas classes de uma escola médica de grande porte. As médicas são 2,3 vezes mais propensas a morrer por suicídio do que outras mulheres na população em geral; médicos do sexo masculino, 1,4 vezes mais provável. A terrível verdade sobre o suicídio de médicos é que a grande maioria destas mortes são devido a uma depressão que não é tratada, o que significa que poderiam ter sido e podem, sim, ser evitadas.
Grande parte do estresse crônico que os médicos experimentam é devido à cultura da formação médica, a natureza do nosso trabalho e o stress imposto pelo ambiente de cuidados na área da saúde atual.  Trabalhamos diariamente com a tragédia humana, com a doença, morte e perda. Muitos de nós não têm um tempo livre de descanso emocional ou para analisar o que ocorreu, após eventos adversos ou a morte de pacientes. Em vez disso, simplesmente passamos para o atendimento ao próximo paciente. Não é à toa que mais da metade dos médicos relatam terem tido bournout.
Ainda mais preocupante, a maioria dos médicos que sofrem de esgotamento ou depressão não procuram tratamento. E embora sendo os que deveriam ter mais consciência, os médicos têm o estigma internalizado de longa data sobre o tratamento em saúde mental, acreditando que ele representa fraqueza e vulnerabilidade. Começando nas escolas de medicina, médicos em treinamento tendem a evitar tratamento em saúde mental por causa de temores sobre privacidade, confidencialidade, e como isso pode afetar negativamente sua autoimagem como médico e suas carreiras futuras. Tais atitudes persistem, e mesmo se reforçam, através dos anos e de suas carreiras como médicos.
É hora de reconhecermos que os médicos que passam tanto tempo de suas vidas cuidando das outras pessoas muitas vezes sofrem em silêncio e necessitam de cuidados, e intervenções eficazes seriam um bom remédio para todos nós.



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.


Texto original: It’s time to recognize and prevent the tragedy of physician suicide By JOAN M. ANZIA  / JULY 21, 2016.
Joan M. Anzia, MD, é uma psiquiatra da Northwestern Medicine e uma professora de psiquiatria e ciências comportamentais e médica, e dirige o programa de residência na Northwestern University Feinberg School of Medicine.
https://www.statnews.com/2016/07/21/suicide-physicians/
Tradução livre e adaptada


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Para os que dizem "Depressão é falta de Deus no coração”


Deixe-me começar falando uma coisa. Eu sou uma cristã. Eu acredito em Deus, porque Deus sabe que eu preciso de ajuda tanto quanto qualquer outra pessoa precisa.
 Eu também tenho transtorno depressivo maior. O fato de eu ter esse transtorno não me faz menos cristã. No entanto, várias vezes já aconteceu de eu ouvir de pessoas na igreja que eu frequento e, geralmente, de pessoas religiosas ao comentarem sobre depressão, que indivíduos como eu deveriam ter mais fé em Deus e deveriam orar com mais força, como se a depressão fosse puramente uma falta de fé. E isso não é só. Sei de casos de muitas outras pessoas com depressão a quem foi dito muito clara e diretamente que elas conseguiriam livrar-se de sua depressão apenas com a oração.
Há um monte de problemas com esta linha de pensamento, de modo que eu quero me dirigir aqueles que fazem tal comentário em relação a mim ou qualquer outra pessoa que sofre de um transtorno depressivo. Aqui está o que eu quero dizer a você.
Em primeiro lugar: A doença mental, incluindo depressão, é uma doença no cérebro. Isto já foi demonstrado repetidamente por inúmeras pesquisas. Então, se você não vê a depressão como uma condição médica, por favor, olhe para as inúmeras pesquisas antes de fazer comentários desinformados e sem instrução.
Em segundo lugar, eu vou aceitar a sua maneira de pensar por um momento. Vamos fingir que depressão não seja uma condição médica (mas é, repito, caso eu não tenha deixado isso claro ainda). Como isso ajuda as pessoas com depressão a se sentirem menos horríveis e culpadas? Ninguém vai se colocar na sua perspectiva, se você falar e fizer afirmações sobre algo que você não conhece, julgando-as de uma forma dura e preconceituosa.
Assim, uma vez que estamos de acordo que a depressão é uma condição médica (eu acho que nós temos isso muito comprovado atualmente, certo?), eu quero te perguntar uma coisa.  Você diria a alguém com uma outra condição médica para apenas orar fervorosamente, com muita fé, e não para ir a um médico? Você diria aos pais que a culpa é deles e que eles deveriam ter criado essa pessoa para ter mais fé? Será que você põe a culpa e a responsabilidade na própria pessoa quando ela tem outro tipo de problema de saúde? Será que você diz às outras pessoas com qualquer outra condição médica para não tomar os seus medicamentos? Eu acho que a maioria das pessoas não fazem isso. Eu acho que a maioria das pessoas iria aproximar-se com amor e compaixão, porque eles entendem que estas circunstâncias que levam a um adoecimento estão fora de controle, do controle de qualquer um. Com a depressão é exatamente o mesmo. É uma condição médica completamente fora do controle da pessoa que a sofre, e as pessoas que lidam com ela devem ser apoiadas da mesma forma como qualquer outra pessoa com qualquer outra condição médica. Entende isso?
Um diagnóstico de depressão não deve ser um interruptor automático que faz a pessoa ser abandonada por sua igreja. Há uma forma de apoiar  a quem sofre com depressão através da igreja, sem abandoná-los. Eu sei porque eu tenho uma igreja que faz isso. Eu tenho uma igreja onde eu posso testemunhar ao meu pastor sobre a minha depressão e ele vai responder dizendo algo como "Sinto muito que você esteja passando por um momento medicamente tão difícil. Saiba que estamos orando por você e você não está sozinha." Na igreja onde quando eu disse ao pastor sênior que eu estava lidando com pensamentos suicidas, ele respondeu com incentivo e me lembrou que eu era amada, não importa o que estivesse acontecendo. Isto é como a igreja e as pessoas que se dizem religiosas devem tratar as pessoas com depressão. Deve tratá-los com bondade e compaixão como se tivessem com qualquer outra condição médica, não deve culpá-las para as dificuldades que estamos enfrentando e não deve fazê-las se sentir culpadas ou envergonhadas.
Lembre-se que as pessoas com depressão são apenas pessoas, como você ou eu. Elas estão passando por algo que está fora de seu controle, e isso afeta suas vidas de forma dolorosa e debilitante. Trate-as com o respeito, a compaixão e bondade que merecem. Não as abandone. A depressão é apenas uma outra condição médica.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 188 e procure ajuda especializada.


Texto original: To Those Who Think I Can 'Pray Away' Depression By Christa T.http://themighty.com/2016/07/how-the-church-should-treat-people-with-depression/
 Tradução livre e adaptada